A história do cinema teve como importante contribuinte
uma mulher. Seu nome é Alice Guy Blaché.
Alice nasceu em 1873 na cidade de Saint-Mandé, França. Em
1894 começou a trabalhar como secretária na empresa de fotografia de Léon Gaumont,
que mais tarde se transformaria na ‘’Gaumont Film Company’’.
Blaché começou a
pensar nas possibilidades de criação narrativa utilizando as câmeras após ir à uma exibição de um projetor de filme, dos Lumière. Ao ser autorizada por seu chefe
a produzir filmes, Alice começou a trajetória trabalhando como secretária no período da manhã e criando filmes no período da noite. Assim nasceu ‘’A Fada dos Repolhos’’ (La Fee AuxChoux), a primeira produção de ficção teatral narrativa no mundo do cinema.
Satisfeito com o resultado, Gaumont deu a Alice o cargo de chefe e produtora executiva do departamento de cinema narrativo. A partir daí Alice começou sua carreira, produzindo mais de 1000 filmes ao longo de sua vida.
Em 1906, Alice dirigiu dois marcos importantes para a história do cinema: o primeiro deles, ''Les Résultats du féminisme'' (As consequências do feminismo), retratando ironicamente a inversão do papel de gênero imposto pela sociedade, e o segundo, ''La Vie du Christ'', contando a história de Jesus Cristo, o filme contava com cerca de 33 minutos, efeitos e cerca de 300 figurantes, algo inédito para a época.
Em 1907, Alice casou-se com Hebert Blaché e mudou-se para os Estados Unidos. Lá, em 1910, Alice juntamente com o seu marido, fundou o estúdio de cinema Solax Company, um dos maiores antes da era hollywoodiana. Tornando-a também uma das primeiras mulheres a dirigir um estúdio cinematográfico.
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Outra importante obra produzida por Guy Blaché foi ''A Fool and His Money'', primeiro filme que se tem notícias de usarem atores negros em sua totalidade, já que na época o uso de black-face era alarmante quando queriam os retratar.
Em 1920, Alice declarou falência (recordando que em 1910 com a chegada de Hollywood, muitos estúdios declinaram) e voltou para a França.
Esquecida até meados do ano de 1956, ano no qual Blaché foi relembrada devido a condecoração feita pelo governo francês com a Ordem Nacional da Legião de Honra, maior honraria dada a militares e civis de destaque. Apagada até mesmo por Léon Gaumont, que ocultou Alice Guy Blaché de seu livro sobre os estúdios Gaumont, Blaché foi esquecida da história do cinema e teve seu nome surgindo novamente nos meios midiáticos através do documentário feito pela cineasta canadense Marquise Lepage, ''Le jardin oublié: La vie et l’oeuvre d’Alice Guy-Blaché''. Na obra é contada, através de imagens, entrevistas e cenas realizadas através do trabalho de Alice, a vida da cineasta, revelando-a para o mundo.
Um outro documentário, dessa vez mais atual (2016), chamado ''E a mulher criou Hollywood'', não trouxe somente a história de Alice Guy Blaché mas também todo um conjunto de mulheres que foram importantes para a história do cinema mas que aos poucos foram apagadas e tendo sua importância desvalorizada, sendo somente os homens a receberem os méritos por alguns feitos na indústria cinematográfica.
Antes de 1920 as mulheres assumiam funções importantes para o mundo do cinema, depois que este se tornou um grande mercado bem remunerado, elas foram aos poucos sendo esquecidas e substituídas por homens.
É válido lembrar que, atualmente, as mulheres em sua minoria ocupam cargos de destaque como roteiristas, diretoras, produtoras executivas e entre outros quando se trata da sétima arte. É importante nos atermos a isso, é importante encararmos o mercado como algo composto por uma competição injusta onde mulheres não são tão reconhecidas, não são tão contratadas, não são tão valorizadas. É importante lembrar: o que elas, o que nós, temos a mostrar e porquê somos impedidas. O fato de ser mulher ainda pesa. Ainda tem importância. É por isso que devemos falar mais sobre mulheres, escrever mais sobre mulheres, ler e consumir conteúdos feitos por mulheres e dar valor, também, a mulheres.
Fontes




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