domingo, 17 de fevereiro de 2019

Alice Guy Blaché: uma das pioneiras do cinema!



A história do cinema teve como importante contribuinte uma mulher. Seu nome é Alice Guy Blaché.

Alice nasceu em 1873 na cidade de Saint-Mandé, França. Em 1894 começou a trabalhar como secretária na empresa de fotografia de Léon Gaumont, que mais tarde se transformaria na ‘’Gaumont Film Company’’. 
Blaché começou a pensar nas possibilidades de criação narrativa utilizando as câmeras após ir à uma exibição de um projetor de filme, dos Lumière. Ao ser autorizada por seu chefe a produzir filmes, Alice começou a trajetória trabalhando como secretária no período da manhã e criando filmes no período da noite. Assim nasceu ‘’A Fada dos Repolhos’’ (La Fee AuxChoux), a primeira produção de ficção teatral narrativa no mundo do cinema.


Satisfeito com o resultado, Gaumont deu a Alice o cargo de chefe e produtora executiva do departamento de cinema narrativo. A partir daí Alice começou sua carreira, produzindo mais de 1000 filmes ao longo de sua vida.
Em 1906, Alice dirigiu dois marcos importantes para a história do cinema: o primeiro deles, ''Les Résultats du féminisme'' (As consequências do feminismo), retratando ironicamente a inversão do papel de gênero imposto pela sociedade, e o segundo, ''La Vie du Christ'', contando a história de Jesus Cristo, o filme contava com cerca de 33 minutos, efeitos e cerca de 300 figurantes, algo inédito para a época.

Em 1907, Alice casou-se com Hebert Blaché e mudou-se para os Estados Unidos. Lá, em 1910, Alice juntamente com o seu marido, fundou o estúdio de cinema Solax Company, um dos maiores antes da era hollywoodiana. Tornando-a também uma das primeiras mulheres a dirigir um estúdio cinematográfico.

créditos da imagem
Outra importante obra produzida por Guy Blaché foi ''A Fool and His Money'', primeiro filme que se tem notícias de usarem atores negros em sua totalidade, já que na época o uso de black-face era alarmante quando queriam os retratar.

Em 1920, Alice declarou falência (recordando que em 1910 com a chegada de Hollywood, muitos estúdios declinaram) e voltou para a França.
Esquecida até meados do ano de 1956, ano no qual Blaché foi relembrada devido a condecoração feita pelo governo francês com a Ordem Nacional da Legião de Honra, maior honraria dada a militares e civis de destaque. Apagada até mesmo por Léon Gaumont, que ocultou Alice Guy Blaché de seu livro sobre os estúdios Gaumont, Blaché foi esquecida da história do cinema e teve seu nome surgindo novamente nos meios midiáticos através do documentário feito pela cineasta canadense Marquise Lepage, ''Le jardin oublié: La vie et l’oeuvre d’Alice Guy-Blaché''. Na obra é contada, através de imagens, entrevistas e cenas realizadas através do trabalho de Alice, a vida da cineasta, revelando-a para o mundo.


Um outro documentário, dessa vez mais atual (2016), chamado ''E a mulher criou Hollywood'', não trouxe somente a história de Alice Guy Blaché mas também todo um conjunto de mulheres que foram importantes para a história do cinema mas que aos poucos foram apagadas e tendo sua importância desvalorizada, sendo somente os homens a receberem os méritos por alguns feitos na indústria cinematográfica. 

Antes de 1920 as mulheres assumiam funções importantes para o mundo do cinema, depois que este se tornou um grande mercado bem remunerado, elas foram aos poucos sendo esquecidas e substituídas por homens.

É válido lembrar que, atualmente, as mulheres em sua minoria ocupam cargos de destaque como roteiristas, diretoras, produtoras executivas e entre outros quando se trata da sétima arte. É importante nos atermos a isso, é importante encararmos o mercado como algo composto por uma competição injusta onde mulheres não são tão reconhecidas, não são tão contratadas, não são tão valorizadas. É importante lembrar: o que elas, o que nós, temos a mostrar e porquê somos impedidas. O fato de ser mulher ainda pesa. Ainda tem importância. É por isso que devemos falar mais sobre mulheres, escrever mais sobre mulheres, ler e consumir conteúdos feitos por mulheres e dar valor, também, a mulheres.


Fontes

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